segunda-feira, 30 de maio de 2011

O grande chef muda de vida




O espanhol Ferrán Adrià já alcançou todos os títulos que um chef poderia sonhar, inclusive as cobiçadas três estrelas do Guia Michelin. Aos 49 anos, decidiu mudar: fechará o premiado restaurante elBulli para transformá-lo em fundação.

Quem se perder pelas estradas sinuosas da Costa Brava espanhola em agosto desde ano, em pleno verão europeu, não terá a sorte de encontrar, espremido entre o mar e montanhas, o melhor restaurante do mundo. O elBulli, exclusivíssimo centro de criação do chef catalão Ferrán Adrià, encerrará suas atividades em 31 de julho, para nunca mais – pelo menos, não nos moldes atuais.

Desde o início de 2010, Adrià ventila a intenção de transformar seu reduto em uma fundação sem fins lucrativos voltada à gastronomia. Nela deverão trabalhar cerca de 25 colaboradores, entre fixos e temporários, com uma única tarefa: criar. “Queremos pessoas criativas e formadas, pois aqui não será nenhum centro de formação”, afirmou o chef em entrevista exclusiva ao site de VEJA. As ideias inovadoras que surgirem dos experimentos serão divulgadas, quase que simultaneamente, na internet. “O objetivo é que as ideias inspirem as pessoas. Mas não vamos divulgar receitas”, acrescentou. A empreitada funcionará no mesmo lugar onde se encontra o restaurante: a praia de Cala Montjoi, na cidade de Roses, a 170 quilômetros de Barcelona.
Adrià garante que a fundação, que levará o mesmo nome do restaurante, continuará recebendo o público. “Ainda estamos desenhando como isso será feito, mas a ideia é receber todos que estiverem interessados em conhecer o projeto”, conta.  Ao dizer ‘todos’, ele exagera. Afinal, ao longo de 20 anos à frente do elBulli, o chef  fez questão de mantê-lo exclusivo. Com apenas 60 lugares, ele fica aberto somente seis meses por ano. “Bem, provavelmente será tão concorrido quanto o restaurante, mas a proposta será outra. Então será um outro público”, diz, sem deixar de ressaltar que ainda há tempo para planejar – a empreitada não ficará pronta antes de 2014.
A ideia de encerrar um projeto de sucesso e iniciar outro completamente incerto, e sem garantia de retorno financeiro, representa uma etapa desafiadora na vida de Adrià. Nascido em uma família de classe média, sem contato com a alta gastronomia, ele lavou pratos, cozinhou em quartéis militares e surpreendeu o mundo ao desconstruir a nouvelle cuisine e transformar a culinária. Muitos o apontam, não apenas como um chef excepcional, mas também como um grande químico – tamanha sua capacidade de transformar os sabores e as texturas dos alimentos em verdadeiras obras de arte. De seu passado humilde, ele parece não guardar recordações ruins.  “Sou uma pessoa de sorte, realizada. Não posso me queixar de nada”.
Para ler a reportagem completa com a entrevista exclusiva do chef Adrià, clique aqui.

Fonte: Ana Clara Costa para VEJA


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